Agora é um obrigação dar prendas. É para isso que serve o Natal, ou tentar pelo menos uma vez por ano, deixar a emoção de um abraço e de um beijo falar mais alto e libertar-nos a alma de preocupações e frustrações do dia-a-dia!? Pessoas nos centros comerciais a atropelar-se umas às outras, com listas de nomes completamente sem saber o que comprar... as coisas que não se compram são as mais valiosas e mais marcantes.
Comprei postais de Natal para enviar à familia e amigos de sempre mas ainda não fiz nenhum, à espera da chegada do D. para poder enviar um foto dos dois. Mas também ainda não recebi postal nenhum... lembro-me que o ano passado enviei tantos e só devo ter recebido uns 3 ou 4. Por isso também me entristece esta quadra, porque até isso desapareceu. Esse gesto tão bonito, que fica guardado para sempre. Um postal, uma carta, qualquer coisa! À minha caixa do correio chega, sim, publicidade a montes e facturas para pagar - completamente vazia de conteúdo, de emoção. Agora é a época dos emails e postais electrónicos, que são giros sim, e são muito mais rápidos e económicos, e nos reconfortam porque somos lembrados... mas onde os guardamos?!
Os meus Natais nunca foram especialmente maravilhosos nem marcantes, mas houve sempre doces, reunião com a familia mais chegada e a televisão de fundo, cheios de roupa até à ponta dos cabelos porque a casa era um gelo. E isso é que tornava a quadra tão rica para mim. Era a nossa quadra.
Agora, com a I. o Natal voltou a ter um significado especial e muito mais rico. São as crianças que fazem o Natal ser mais puro, mais intimo, mais alegre. Agora com o D. ainda vai ser mais, se isso é possível, mais um ser para alegrar e aquecer-nos o coração.