SIM AO ABORTO
Vou ser sincera, não votei. Ainda não mudei o recenseamento para a minha nova area de residencia e teria de ir a F. votar. Não me dava jeito nenhum, apesar de achar que devia ter feito tudo por tudo para ir e votar. Nunca falei antes sobre o referendo, mas sou a favor e contra.
A FAVOR porque acho que todas as mulheres devem poder abortar em condições, sem serem marginalizadas, condenadas e correrem risco de vida com abortos mal feitos, porque quem TEM de abortar, deve-o fazer com dignidade e sem medo de pôr a sua vida em risco nem de ir parar à prisão porque teve de fazer aquilo. Acho que nenhuma mulher aborta porque quer. Tem de haver um grande motivo, malformação ou violação.
CONTRA porque acredito que um bebé não tem culpa de vir ao mundo, que vem porque o pai e a mãe quiseram, desejaram, amaram a ideia e finalmente, o feto que começa a crescer dentro do ventre materno. Na minha ideia, não consigo perceber que hajam mulheres que não desejem esse bebé que se gerou no seu ventre, que não se tenham emocionado, chorado, delirado com a ideia de ir ter um bebé, fruto de um grande amor ou paixão, ou mesmo de algo passageiro. Se engravidou, foi porque teve de ser, foi porque esse rebento vai adicionar algo que faltava à sua vida, ninguém, nem mesmo a própria mãe tem o direito de lhe tirar a vida e arrancá-lo de dentro de si, só porque não lhe dá jeito tê-lo agora, ou por razões profissionais ou por ser fruto de um amor proibido ou efémero. Tivessem pensado nisso antes! Há tantos métodos anticonceptivos, pilulas de graça nos centros de saúde, consultas de planeamento familiar também, preservativos, piluas do dia seguinte, etc... se sabem fazer, não deviam saber como evitar?! Abortar por abortar, não! Prefiro nem pensar que há mulheres que fazem isso, porque acredito que deve custar muito, fisica e psicologicamente, para além de deixar marcas para toda a vida. Sou pela vida, mas também sou pela justiça, pela dignidade da mulher. Se tiver mesmo de ser, que não seja às escondidas e em condições horríveis, nem perdidas no país vizinho, porque o nosso ainda não "cresceu" o suficiente para acolher uma mulher desesperada.
Espero que a nova lei despenalize o aborto e não o banalize!
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