Pouco tempo
É o que tenho. E sinto-me frustrada por isso. Ando a fazer uma média de 10h de trabalho por dia. Vejo os meus filhos uma média de 2h por dia, o que dá a média de 10h por semana útil (podia e devia ser ao contrário). Por isso, os fins-de-semana preciso mesmo de estar com eles, sinto necessidade de estar ao pé deles, de os encher de beijos, abraços, estrafegos, brincadeiras.
E a minha filha é a primeira a acordar-me para a minha dependencia com o trabalho. "mamã, hoje não vais. Hoje quero que fiques em casa." Ou "a que horas vens? já vais trabalhar outra vez? quando voltas?". Fico revoltada com isto, porque sinto que lhe falto um bocadinho todos os dias, apesar de tentar compensar quando chego a casa. Mas nunca chega. Ela vai para a cama e quer que eu fique com ela até adormecer, a contar historias ou mesmo dormir com ela. Ele ainda não expressa em palavras, mas em gestos. Tambem sente muito quando saio pra ir trabalhar e fica louco quando chego a casa. Por isso, nunca descanso. Eles andam tão ciosos de mim, que não me deixam quase respirar e descansar um bocadinho. Retempero as forças com o pouco que durmo.
Vida de mãe trabalhadora não é fácil. Espero que um dia Deus me recompense e me permita ganhar uma "nesguinha" do euromilhões para me pôr a andar do emprego e dedicar-me finalmente a tempo inteiro e de corpo e alma aos meus filhos.
Etiquetas: Eu




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